Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens

18 de julho de 2024

Nápoles e a coleção de Maradonas (1 de 3)

 

Viagem a Nápoles

A intensidade da viagem na Páscoa e depois o regresso ao trabalho intenso no início de abril não deu tempo para a síntese. Hoje houve tempo e vontade de organizar e guardar aqui uma memória da viagem com a Joana e o Edward. Vai ser em conjuntos, Nápoles, Pompeia, Herculano e o Vesúvio.

La Bella Napoli tem paisagens, edifícios, castelos, palácios, subterrâneos, igrejas (sobressai o Barroco), gastronomia e ruas animadas que são fantásticos mas depois também surpreende em vários pormenores e simbolos.

Fomos em altura de festas da Madonna dell'Arco e na primeira noite a cantoria era tal que parecia estar dentro de casa. Claro que saí à rua e deu para ver algumas das festas organizadas pelas coletividades locais, com andores e jovens porta estandartes que faziam acrobacias, enquanto outros batucavam, tocavam e cantavam. 

A História da Madonna del Arco conta que em 1540, na 2ª-feira de Páscoa, um jovem fica irritado por ter perdido um jogo (pallo-malo, pareceu-me ser uma espécie de croquet), chama nomes à Madonna e atira-lhe a bola à cara. A imagem começa a sangrar e a multidão grita que é milagre. Perseguem o rapaz, que é levado à justiça e condenado à morte. Quando vão enforcá-lo numa tília, a árvore murcha e a multidão percebe que ele deve ser perdoado. A história continua a instigar grandes festas numa cidade que me pareceu muito devota e fervorosa. Outro exemplo disso é a quantidade incrível de oratórios e ex-votos que existem nas ruas das áreas mais antigas.

Por isso um dos passatempos desta viagem foi colecionar fotos de oratórios (há por todo o lado e nos sítios mais estranhos). Mas aquilo que mais me surpreendeu foram as efígies do Diego Maradona também espalhadas por tudo o que é sítio e pormenor. Aqui fica uma parte da minha coleção (que é maior). Foi um passatempo curioso catar Maradonas 🤪 em Nápoles.


Viagem a Nápoles graffiti de Maradona

Pompeia (2 de 3)

 

Visita a Pompeia, espetacular

No trajeto de Nápoles a Pompeia, falávamos dos bilhetes e comentava eu que visitas de 3 dias a um só sítio arqueologico me pareciam excessivas. Um dia parecia-me mais que suficiente. Pompeia não seria Roma 😅 eheheh... Três dias? Que disparate!

Nunca tinha ido a Pompeia (mas sim a Roma que na altura me impressionou) e estou mais habituada à escala dos Romanos em Portugal (pois sim, eheheh). Mas já tinha estudado  a Cidade, já tinha até ensinado Pompeia aos alunos. Vi e mostrei fotografias e videos, explorei com eles a página web do Museu e as visitas virtuais. Conhecia notícias das descobertas mais recentes e até promovi uma atividade inspirada em Pompeia em que os alunos fizeram maquetes de cidades romanas para articular com os vulcões que tinham de fazer em Ciências Naturais. Em suma, achava que sabia umas coisinhas 😅. Três dias? Foi a arrogância da ingénua, ou da ignorante, que vai dar no mesmo 😅

É incrível, aquilo que lá está é muito maior e mais especial do que imaginava e estou muito grata por ter ido lá  🥰. Claro que um dia não foi suficiente, nem de perto, para toda curiosidade e entusiasmo, para todos os detalhes da vida comum que se multiplicavam a cada rua, a cada construção. Mas esforçámo-nos por ver o mais possível das coisas que cada um queria e sabia e teve energia de conseguir. Andámos até em busca das novas descobertas, lidas nas notícias, mas afinal ainda estão em área reservada, não aberta ao público. Claro que não vimos nem metade da Cidade e que com os novos trabalhos em breve haverá mais para ver.

Pompeia é um sítio fabuloso que aconselho a toda a gente...  e espero que o texto reflita o quanto me senti pequena perante a História que ali se nos revela e sobre a Humanidade e o Saber Científico sobre ela. Senti-me pequena mas viva e cheia de curiosidade, renovada criança. Faz bem sentir essas coisas, relativizam-nos, reposicionam-nos.

Claro que foi muito difícil escolher fotografias para Pompeia. Fiz dois conjuntos e falta imensa coisa 😉 mas é a síntese conseguida por esta stora-arqueóloga-miúda. Aqui fica a minha síntese de memoria de uma das grandes cidades memória que ainda podemos contemplar.

Visita a Pompeia, espetacular


Herculano e o Vesúvio (3 de 3)

 

Visita a Herculano e ao Vesúvio

Em Herculano (Ercolano) além de toda a História e estórias (dos pormenores do barco ou das pessoas que fugiram para a praia) dos frescos e mosaicos, dos metais, das estátuas, dos edifícios, aqui impressionaram-me as madeiras preservadas... Madeiras... nas portas em caibros em escadas... Madeiras trabalhadas, com detalhes 😮. Espetacular 😍.

A dimensão original e a área escavada são muito mais pequenas do que em Pompeia e quando fomos já tínhamos ficado maravilhados com essa imponência, mas Herculano conquista da mesma forma com os seus pormenores de vidas e espaços humanos interrompidos e parados no tempo. 

Depois das visitas às cidades... Era preciso ir conhecer o portento visível de toda a parte. A subida ao Vesúvio é tão enorme que só aqui cabem partes do topo da cratera 🤪

Cratera do Vesúvio

Cratera do Vesúvio


25 de agosto de 2022

23 de agosto de 2022

Valência / Valencia

 

Visita a Valência, Espanha, o melhor

Um dos passatempos da visita a Valência acabou por ser colecionar os graffitis do David de limón. Já conhecia este mascarado de algum lado mas não sabia que o artista era de Valência nem o seu nome.

Só depois de ter reparado na repetição fui procurar informações e então comecei a tentar colecioná-los 😁. Sei que há muito mais mas estes foram os que me apareceram pelo caminho 😉🥰.

Aqui fica a coleção junto com três grafittis de que gostei muito, de outros artistas. O coração é de La Nena Wapa y Stool, o painel de tecido não sei e último da direita é da Julieta XLF. Muito mais havia lá mas fica para outra viagem.


13 de dezembro de 2010

Sardenha a pé, ficou-se por Cagliari

Visita a Sardenha sem sardas e sem sardinhas. No bucho muita massa fresca com pesto. Uma Sardenha de simpáticos Sardos na sesta da tarde quando tudo fecha. Uma Sardenha visitada em 3 dias resumiu-se apenas a Cagliari, sem sol mas com muito para ver e passear.



Da viagem trago as imagens de cultura diferente, de gente com faces que bem podiam vir daqui e a descoberta de um canto polifónico de raiz pastoril, que se ritma em transe. Aqui fica um video do youtube em francês que o explica um bocadinho.



Quanto a Cagliari convenceu-se a si mesma de que a riqueza são praias. Pode ser verdade numa ilha mas é pena, porque para além delas há ali imagens e cultura específicas que podiam ser muito mais exploradas.



A cidade é um monumetal Castelo rodeado de salinas e portos de mar, com zonas mais preservadas que outras. Tem um belíssimo anfiteatro romano e vários outros vestígios, como a necrópole de Tuvixeddu. Lembro ainda uma igreja que suscitou a nossa curiosidade por ser dedicada a São Lucifero... mas não, não evoca o demónio e sim um antigo bispo de Cagliari que foi excomungado por ser contrário à heresia Ariana (de Ariés) do séc. IV.

Por falta de um cartão de plástico, fiquei sem visita aos famosos Nuraghi proto-históricos, que tanto queria ver. Tive de contentar-me com imagens de museus e com as fotografias ao espólio tiradas pelo companheiro de viagem. Do chato o menos, porque há lindíssimas formas cerâmicas e belíssimos ex-votos de bronze.









Em suma, Cagliari, sim, vale a pena visitar, mas levem os cartões de plástico todos que tiverem, sobretudo aqueles que certificam que os bancos vos emprestam dinheiro :P Pelo que vimos, de certeza que valia a pena alugar um carro e explorar a ilha mais para dentro... Lá terá de ficar para a próxima.

10 de dezembro de 2009

Impressões de Viagem: Barcelona

Barcelona o patchwork que funciona.

Sob o sol, uma manta de retalhos de imagens várias e muitas cores, padrões abstractos, animais e vegetais e contrastes de texturas, combinações de cores e materiais. Eis a cidade! Barcelona do ferro fundido, do tijolo, do azulejo e do vidro colorido em vitral. Arquitecturas pintadas e misturadas, linhas direitas e linhas fluídas, quebradas e continuas, jogos de volumes largos e estreitos, de sombras e de luz, numa imensidade de pormenores que quase poderiam oprimir... mas estranhamente... não.

Barcelona, barroca de efeitos, de enfeites, mas curiosamente leve, distando menos de um centímetro do kitsh... que resulta e não o é... Uma cidade que senti sintetizada na fachada da Sagrada Família: A mistura de pormenores e contrastes, de materiais, de palavras com estalactites, do antigo com o moderno, de linhas curvas com ângulos agudos e rectos, da pedra e cimento frios com a cor gritante dos pinaculos e de uma àrvore solitária cheia de pombas... um exercício de mistura quase a uma unha de distância do mau gosto profundo... com um resultado estranhamente equilibrado e elegante, dinâmico e fluído até! Como é possível?

Não sei... aí está o fascínio que trouxe de Barcelona, o apreço pelo seu burburinho alegre e a vontade de regressar para explorar e sentir mais.

9 de abril de 2009

Impressões de Viagem III

28 de Março de 2009

O mar enrolou-me na areia dos 30 anos em Lizard Point. 
Primeiro no topo de uma falésia a tomar café chilro e um Cornish Pastie, depois junto ao mar...

8 de abril de 2009

Impressões de Viagem II

Somerset, Devon e Cornwall (25 a 27 de Março)

Outro destino...
Com um sorriso, deixou-se na vida nova o amigo em pânico mental de ser assolado por multidões de Mozarts invadindo esquinas; e na cidade, a Pinakoteque que se queria ter visitado para além da porta fechada. Não se deixaram as visões de bicicletas, agora por outras ruas, uma entrou até na família pelas mãos de uma prima que recebeu um presente. A viagem correu-se em trânsitos de pés no chão, de pés no ar em voo, de carril, ou de quatro rodas... e nos dias seguintes com cheiro e vontade de quatro patas de ovelha ou pónei. Ficou só o cheiro.
-“Sei bem que tenho uma névoa de cigarro em volta. Afasta os mosquitos!”
Londres cheirou-se a Starbucks e depois a “bitter”. Londres solarenga de arranha-céus espelhados no fim de tarde, antes de conversas familiares na casa mais aziaga da Rua do Principe Negro, sem a presença do Harry Potter mas com a novidade do Watchmen em livro por companhia antes do filme.
Londres ficou para depois no lombo do transporte de aluguer. Uma meia de lã de conversas de caras antigas e novas foi-se tecendo aos poucos, a cinco agulhas; desfiada a ponta do novelo em refeições caseiras de pub de aldeia e pés molhados nas areias pretas de praias que um dia derrotaram invasões bretãs a golpe do povo.A vegetação densa cedeu como o dia e Darthmoor aproximou-se em mistério nocturno, perdida por estradas estreitas, onde contam as lendas já muitos não encontraram retorno.
“-In half a mile, turn left! In half a mile, turn left! Turn left! Turn left! Turn left!”
O cão dos Baskerville uivava o seu chamamento em voz digital mal compreendida, dirigindo os faróis até à porta de um celeiro, a estadia de repouso no meio da treva. O entusiasmo do insólito mistério. Animais patinhavam e resfolegavam mansos e surpresos, na quinta Burberrys, sem que acendessem a fogueira húmida para aquecimento das almas. A saliva revolvia-se nas papilas como reflexo de outro cão igualmente famoso até se resolver enchendo dos pratos as barrigas e do esforço crepitarem tons laranja.
O frio da pedra empedreceu ossos que custou aquecer no molhado da chuva. No molhado das pontes e dos círculos antigos de Grimspound. Cinzento. Casas, pedras, riachos e chuva, passeios na erva à procura de antanho e termos de chá quente e risos com biscoitos a renovar coragens para os engasgamentos do ponto morto do automóvel.
“- I am taking my license. Do you want me to drive?”
Um bigodinho de Poirot num episódio à beira mar, saltou de uma falésia no desejo de comer ostras. Ostras imaginadas e suculentas justificaram milhas, para ser impossível abri-las depois e partir à cata de um abrigo de lona para a noite. Sempre a chuva. Chuva e estrelas frias em botas más, acenando com os pés adeus aos vintes e comendo camarões fritos numa fofa alcatifa cor de laranja antes do deitar.

7 de abril de 2009

Impressões de Viagem I

Bicicletas, Mozarts e coisas Austro-Bávaras (21 a 24 de Março)

Uma vez avistados, os Alpes seguiram o comboio, nevados e agudos, serrilhados e a acrescentar sentidos à palavra Serra. Mirados de baixo, imponentes, ou em reflexo de lagos plácidos em espelho, ou torcidos nos rios turquesa do degelo. Pontilhavam-se de cedros e demais àrvores bicudas, a par de carvalhos caducos, em terras malhadas imitando as muitas vacas, entre o loiro-ruivo e o azeviche. Um azeviche verdadeiro visível em muitos montinhos da mesma cor.
"-São toupeiras!"
"- Eh, que aqui se alimentam gigantes!"
O quadro ao natural desenhou-se aos ziguezagues de volumes, bicos e cores!
Enormes janelas de corpo inteiro espiavam-se das ruas e dos trampolins nos quintais.
"-Oh! Trampoli-ins!"
Poucos prédios nas vilas, alguns nas cidades, numa vida a dois andares saída da confeitaria. Por baixo a massa fofa de tijolo burro, encimada pela cobertura a chocolate no triângulo de madeira dos quartos. Telhados de duas abas e imensíssimos quilómetros de painéis solares.
"-Olha, para além de pastores... será que ainda há lenhadores?"
Fizeram perguntar os arrumos completos de troncos de lenha cortada ao lado das pseudo-mini-quintas-quintais com barracas a lembrar casas de bonecas ou bungalows de férias.
"-Uma rede de descanso à saída de Salsburgo... à entrada de Munique."
Omnipresentes e sempre mais altos que toda a paisagem humana, exibiam-se os braços estendidos da reza nos pináculos de Igrejas e Catedrais, piramidais em topo fino de quase agulha, competindo em exercício de alongamento com o topo dos cedros que o homem ousou suplantar.
"- Os Americanos bem querem convencer toda a gente que os hamburguers são o prato mais comido no mundo. Mas não é verdade!"
"- Não me digas que queres outro Kebab?"

Salivaram-se as papilas no mercado, no degusto de sandes de queijos ou carnes várias, vegetais suculentos, crus ou grelhados em pães de inúmeras sementes e na "Weisse biere" do dizer de alguém, escorrida em várias goelas.
Um carrilhão espreitou da praça o clarão sonoro do espanto e palmas depois da espera, para que os cavaleiros se enfrentassem em justa até que um caísse e seguisse a dança sob arcadas de ramos. Alheio à dança, longe dali, um homem criava copos e borboletas de vidro na cor do fogo, rodeado pela ciência arrumada em muitas salas e espiado de perto por bisontes extintos de um tecto falso de Altamira.
-"Está a nevaaar!"
O vestido bávaro, cintado em corpete que poderia ser bordado mas era de lã preta e simples, repousou num saco dentro da mala, enquanto o céu cobriu a cidade de flocos, vestindo-a mansamente com as cores da noiva fria. Passos lentos bordariam todo o rendilhado complexo de histórias e vidas humanas no dia seguinte de um passeio à beira rio entre muitos.
- " Vê lá tu que, depois de tantas, hoje só vi uma bicicleta na rua e estava a ser metida dentro do metro"
-"É, isto é tudo muito plano, e chove, e gela... e escorrega! Mas pelo menos aqui ainda não vi nenhum Mozart."

Destaques

Cáceres de um café

  Distração de início de 2025... Erros de perspetiva e cor, aceites ainda assim, traços que tremem na imperfeição da mão. Pouco treino, muit...