Lusiadas contemporâneos
Concordo completamente com a ideia de uma nova Epopeia necessária, não só ao povo Luso mas a muitos outros do Ocidente e da Europa em particular. No entanto é desta língua, deste país rectângular e destes problemas concretos que estou mais próxima. Por isso, hoje depois de ter recebido este texto via Facebook, escrito pelo muito ilustre autor Luis Vaz sem Tostões, sito algures nas margens do Coura, quebro o hábito de só aqui colocar textos da minha brida e convido quem aqui venha a gozar os sorrisos e as raivas dos novos Lusiadas... possam as palavras inspirar os actos e transbordar das letras para a construção de novas Epopeias práticas :)
I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!
II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.
IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!
Luiz Vaz Sem Tostões
Diz... Farsa!
04/05/2012
30/04/2012
Trunks of old and dark spirits II
Headbanging for thy obsession
The siren whispers…
and I don’t know why
does that song find warmth
into my mind.
It says that if I listen
and then I don’t forget
there’s quietness and bliss
that will surely set.
I feel that it is wrong but…
what should I do?
The lyrics and the promise
sound as if true.
So I care no more
for whom does it serve,
‘cause it fills the void
and it calms my nerves.
Oh song of faith, oh sing to me...
the utopia of the lands that I will see!
Where the wrongs were put right,
Where this Man won his fight,
raising back from the ruins of time!
But… the ashes,
only ashes, grey ashes.
There’s no Man to be seen
from out here!
Only ashes that fill everything…
There is no Man to rise,
and the song is demise
set to lure the obsessions within.
Oh song of Faith, oh sing no more!
Let me silent and quietly find shore…
'cause the wrongs creep back in
carving signs in my skin,
maps of old, where nothing can begin!
Checking sea, checking land!
- Laughs the siren!
She commands me to sing,
then I am She,
struggling with the obsessions
gone free!
And as soon as you do,
begin to sing her back,
the song works
and your mind starts to crack.
Piercing voice and aloud,
just by giggling in sway,
twisting off all your memories
on play and replay!
Oh Saint Obsession,
then by banging my head,
I‘ll spill it out of music
and finish it dead!
Coimbra, Jan/Abr 2012
The siren whispers…
and I don’t know why
does that song find warmth
into my mind.
It says that if I listen
and then I don’t forget
there’s quietness and bliss
that will surely set.
I feel that it is wrong but…
what should I do?
The lyrics and the promise
sound as if true.
So I care no more
for whom does it serve,
‘cause it fills the void
and it calms my nerves.
Oh song of faith, oh sing to me...
the utopia of the lands that I will see!
Where the wrongs were put right,
Where this Man won his fight,
raising back from the ruins of time!
But… the ashes,
only ashes, grey ashes.
There’s no Man to be seen
from out here!
Only ashes that fill everything…
There is no Man to rise,
and the song is demise
set to lure the obsessions within.
Oh song of Faith, oh sing no more!
Let me silent and quietly find shore…
'cause the wrongs creep back in
carving signs in my skin,
maps of old, where nothing can begin!
Checking sea, checking land!
- Laughs the siren!
She commands me to sing,
then I am She,
struggling with the obsessions
gone free!
And as soon as you do,
begin to sing her back,
the song works
and your mind starts to crack.
Piercing voice and aloud,
just by giggling in sway,
twisting off all your memories
on play and replay!
Oh Saint Obsession,
then by banging my head,
I‘ll spill it out of music
and finish it dead!
Coimbra, Jan/Abr 2012
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Lirismos
24/06/2011
Rimas da Amora Simples
Se a memória da amora, não compensar
a do espinho,
Só a fome atreve a mão a fazer-se-lhe
ao caminho.

Na abundância da estufa impera o morango
a pacote.
Não há razões de ir à silva e arriscar-se
num corte.
Dali se alimentam pássaros; umas cansam-se
no chão.
Há uns radicais que as comem, em desportos
de verão.
As outras minguam sementes, esquecidas já
do sabor,
sem vantagens de mercado, que é quem Nos
Define o Valor.
Mas há quem guarde gatilhos, antigos, sem medo
aos espinhos,
e salive de amoras silvestres, mesmo que tenha...
mirtílos.
:)
Escrito hoje, mais um dia em que não comi amoras silvestres :)
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Lirismos
11/06/2011
Lanternas
Não quero que desçam lanternas dos céus esta noite, aqui só!
Porque as lanternas garridas irrompem nos olhos adentro, e por rasgadas pupilas, cortinas abertas, desenham-me um nó.(Sob a luz, por sistema, sobressaem sintomas, maclados em cor).
Por isso, impeçam que desçam lanternas dos céus a alumiar, esta noite! Que o ventre quer ventre, voltar-se à escuridão, ser perene e gerar. De ausência de fora aconchega-se a funda imersão, em abraço. Um nicho aninhado de bicho, acossado e a catar-se o cansaço.
Não deixem que baixem lanternas dos céus, as estrelas, ou lua; que em mim dançaram demónios e agora, acalmados, ergo-me do chão. Vou ao escuro do ventre da terra, à mão do principio, banhar-me no nada. Que o nada estica-me o corpo nas cordas do ímpeto da transformação.
18.05.2011
Porque as lanternas garridas irrompem nos olhos adentro, e por rasgadas pupilas, cortinas abertas, desenham-me um nó.(Sob a luz, por sistema, sobressaem sintomas, maclados em cor).
Por isso, impeçam que desçam lanternas dos céus a alumiar, esta noite! Que o ventre quer ventre, voltar-se à escuridão, ser perene e gerar. De ausência de fora aconchega-se a funda imersão, em abraço. Um nicho aninhado de bicho, acossado e a catar-se o cansaço.
Não deixem que baixem lanternas dos céus, as estrelas, ou lua; que em mim dançaram demónios e agora, acalmados, ergo-me do chão. Vou ao escuro do ventre da terra, à mão do principio, banhar-me no nada. Que o nada estica-me o corpo nas cordas do ímpeto da transformação.
18.05.2011
18/05/2011
Fragmentos da Feminil... idade IV
Colo
Perdi o meu colo... um dia partiu.
Mas todos disseram que era triste chorar.
Que era feio e rude mostrar a tristeza,
que assumir a fraqueza era de envergonhar.
Assim, cerrei os dentes e cravei-os nos lábios.
Aderi à turma dos senhores da certeza,
aprendida sisuda desses discursos sábios.
Se gritos me tive, não gemi de pudor;
Se o lábio sangrou, degluti p'ra nutrição;
Se lágrimas vieram, passei-as a secador;
Se a tristeza raiou, atirei-lhe uma canção.
Mas esquecida, nos aceiros do controlo da dor,
abateu-se-me exausta a matriz do coração!
(Esquecer é um sofisma de esforçada lentidão...)
Antes lutara em nascer, do que nesse controlar,
Porque hoje falta-me o colo
... e a ciência de sentar.
07.2010 (Concluído em 05.2011)
Ao Pai
Perdi o meu colo... um dia partiu.
Mas todos disseram que era triste chorar.
Que era feio e rude mostrar a tristeza,
que assumir a fraqueza era de envergonhar.
Assim, cerrei os dentes e cravei-os nos lábios.
Aderi à turma dos senhores da certeza,
aprendida sisuda desses discursos sábios.
Se gritos me tive, não gemi de pudor;
Se o lábio sangrou, degluti p'ra nutrição;
Se lágrimas vieram, passei-as a secador;
Se a tristeza raiou, atirei-lhe uma canção.
Mas esquecida, nos aceiros do controlo da dor,
abateu-se-me exausta a matriz do coração!
(Esquecer é um sofisma de esforçada lentidão...)
Antes lutara em nascer, do que nesse controlar,
Porque hoje falta-me o colo
... e a ciência de sentar.
07.2010 (Concluído em 05.2011)
Ao Pai
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Lirismos
21/03/2011
Das coisas bonitas... postais, livros, design

"Each person is a new story, a new book.
Each book is a new idea of literature, a proposal to design a new life.
One could even read life – and live books."
Joana Bértholo
Começa assim o site da Rita Marquito, com uma frase emprestada a sumariar a sua entrega aos livros e ao desenho da linguagem gráfica. Os dois em conjunto têm dado origem a imensos trabalhos de design de livros; e quando em separado têm gerado horas de leituras (que às vezes discutimos nos cafés) ou vários outros trabalhos gráficos em exposições e sinalização de espaços (que... sim, às vezes também discutimos nas mesas dos cafés, ou entre danças nos bailes e passeios ao rio e em que eu aprendo sempre mais do que aquilo que tão pouco sabia).
A literatura, o design... Desenhar uma vida nova é um desafio estupendo! Reinventar isto tudo de olhos abertos. Trazer à baila aquilo que não estava lá e enriquecer-nos de novas e reinterpretadas experiências. Não posso por isso deixar de enquadrar aqui no Dizfarsa, para quem não conhece, o link para o novo site da Rita, onde ela está a agrupar o CV e portfolio de trabalhos e ainda os dois postais que ela criou sobre esse trabalho.
http://ritamarquito-work.tumblr.com/
Visitem depressa, a Rita enquanto cá está (porque ela pensa fugir-nos de Coimbra em breve, provavelmente para Lisboa) e o site, sempre!
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Opinativo
15/03/2011
Emaranhado de Primavera
Arrebatadora!
Arrebatadora e implacável nasce-me, no fim do inverno, uma ânsia de desejos que percorrem os mil braços por onde não podem escorrer. (Só tenho dois... e atados a notas de 100 euros). É uma ânsia que não se sacode e se espatifa aguda contra a barreira de um só caminho de perna e passo, contados e numerados.
Calma aí!
Dizem que não.
Indiferentes à flecha do tempo, golfadas de ideias emaranhadas não fluem em fios de sentido que se organizem. Nenhuma espera que outra tome a dianteira para a seguir, e em vez disso todas acorrem quando se lembram, aos gritos altos, dispostas a interpor-se umas às outras porque dizem que são urgentes.(O desdém da omnipotência em corpo humano). Cada vontade é urgente! Mas são demasiadas! É tudo urgente e vital na Primavera!
Rebentam-me emoções e vontades a querer despontar da humidade invernal em casca sossegada, mas a torrente paralisa de tão frenética. O excesso aniquila o prazer do novo e os rebentos prematuros são cauterizados pelo frio da alma arrefecida; pelo corpo que ainda quer hibernar mais um bocado; pela condição de quem só processa um segundo de cada vez.
Calma aí! - Disse eu! - Ainda tenho de ajeitar os ramos. Nasçam lá uma de cada vez.
Arrebatadora e implacável nasce-me, no fim do inverno, uma ânsia de desejos que percorrem os mil braços por onde não podem escorrer. (Só tenho dois... e atados a notas de 100 euros). É uma ânsia que não se sacode e se espatifa aguda contra a barreira de um só caminho de perna e passo, contados e numerados.
Calma aí!
Dizem que não.
Indiferentes à flecha do tempo, golfadas de ideias emaranhadas não fluem em fios de sentido que se organizem. Nenhuma espera que outra tome a dianteira para a seguir, e em vez disso todas acorrem quando se lembram, aos gritos altos, dispostas a interpor-se umas às outras porque dizem que são urgentes.(O desdém da omnipotência em corpo humano). Cada vontade é urgente! Mas são demasiadas! É tudo urgente e vital na Primavera!
Rebentam-me emoções e vontades a querer despontar da humidade invernal em casca sossegada, mas a torrente paralisa de tão frenética. O excesso aniquila o prazer do novo e os rebentos prematuros são cauterizados pelo frio da alma arrefecida; pelo corpo que ainda quer hibernar mais um bocado; pela condição de quem só processa um segundo de cada vez.
Calma aí! - Disse eu! - Ainda tenho de ajeitar os ramos. Nasçam lá uma de cada vez.
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Opinativo
18/12/2010
A Passagem de ano é em Coimbra
Mais um ano que entra, mais uma rodada... de voltas e danças e abraços e música e amigos e saudades.
Novamente no Centro Norton de Matos em Coimbra... lá espero encontrar-vos todos.

Mais informaçõem em:
http://www.rodobalho.com
ou em
http://www.passagem-de-ano.net/
Novamente no Centro Norton de Matos em Coimbra... lá espero encontrar-vos todos.

Mais informaçõem em:
http://www.rodobalho.com
ou em
http://www.passagem-de-ano.net/
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Dançarilhices
13/12/2010
Sardenha a pé, ficou-se por Cagliari
Visita a Sardenha sem sardas e sem sardinhas. No bucho muita massa fresca com pesto. Uma Sardenha de simpáticos Sardos na sesta da tarde quando tudo fecha. Uma Sardenha visitada em 3 dias resumiu-se apenas a Cagliari, sem sol mas com muito para ver e passear.

Da viagem trago as imagens de cultura diferente, de gente com faces que bem podiam vir daqui e a descoberta de um canto polifónico de raiz pastoril, que se ritma em transe. Aqui fica um video do youtube em francês que o explica um bocadinho.
Quanto a Cagliari convenceu-se a si mesma de que a riqueza são praias. Pode ser verdade numa ilha mas é pena, porque para além delas há ali imagens e cultura específicas que podiam ser muito mais exploradas.

A cidade é um monumetal Castelo rodeado de salinas e portos de mar, com zonas mais preservadas que outras. Tem um belíssimo anfiteatro romano e vários outros vestígios, como a necrópole de Tuvixeddu. Lembro ainda uma igreja que suscitou a nossa curiosidade por ser dedicada a São Lucifero... mas não, não evoca o demónio e sim um antigo bispo de Cagliari que foi excomungado por ser contrário à heresia Ariana (de Ariés) do séc. IV.
Por falta de um cartão de plástico, fiquei sem visita aos famosos Nuraghi proto-históricos, que tanto queria ver. Tive de contentar-me com imagens de museus e com as fotografias ao espólio tiradas pelo companheiro de viagem. Do chato o menos, porque há lindíssimas formas cerâmicas e belíssimos ex-votos de bronze.




Em suma, Cagliari, sim, vale a pena visitar, mas levem os cartões de plástico todos que tiverem, sobretudo aqueles que certificam que os bancos vos emprestam dinheiro :P Pelo que vimos, de certeza que valia a pena alugar um carro e explorar a ilha mais para dentro... Lá terá de ficar para a próxima.
Da viagem trago as imagens de cultura diferente, de gente com faces que bem podiam vir daqui e a descoberta de um canto polifónico de raiz pastoril, que se ritma em transe. Aqui fica um video do youtube em francês que o explica um bocadinho.
Quanto a Cagliari convenceu-se a si mesma de que a riqueza são praias. Pode ser verdade numa ilha mas é pena, porque para além delas há ali imagens e cultura específicas que podiam ser muito mais exploradas.
A cidade é um monumetal Castelo rodeado de salinas e portos de mar, com zonas mais preservadas que outras. Tem um belíssimo anfiteatro romano e vários outros vestígios, como a necrópole de Tuvixeddu. Lembro ainda uma igreja que suscitou a nossa curiosidade por ser dedicada a São Lucifero... mas não, não evoca o demónio e sim um antigo bispo de Cagliari que foi excomungado por ser contrário à heresia Ariana (de Ariés) do séc. IV.
Por falta de um cartão de plástico, fiquei sem visita aos famosos Nuraghi proto-históricos, que tanto queria ver. Tive de contentar-me com imagens de museus e com as fotografias ao espólio tiradas pelo companheiro de viagem. Do chato o menos, porque há lindíssimas formas cerâmicas e belíssimos ex-votos de bronze.
Em suma, Cagliari, sim, vale a pena visitar, mas levem os cartões de plástico todos que tiverem, sobretudo aqueles que certificam que os bancos vos emprestam dinheiro :P Pelo que vimos, de certeza que valia a pena alugar um carro e explorar a ilha mais para dentro... Lá terá de ficar para a próxima.
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Opinativo
01/09/2010
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