13 de julho de 2024

Queixinhas em palavrões

€@#&£!
Estou cansada
da matéria a transmutar
sempre e sempre e sempre 
"Nada se perde..." e tal...
"Tudo..." e tal... sempre a mudar
Mas é sobretudo um fastio
se a matéria não transmuta 
e não cria metamorfoses
ao sabor dos meus palpites
(atacam-me palpitações)

Enfim, 
talvez seja só fadiga
e este texto um pretexto
de fazer queixas à Vida
para ver se a endireito
Quem sabe ela ouça melhor
se usar destes palavrões 
em vez de "puta de merda,
cona e caralho, cabrões"
(que são uns que tenho usado
embora sem resultado)

Diz lá Vida, como é que entendes?
É de usar um dicionário?

7 de julho de 2024

O Puzzle


Tenho aqui dois mil pedaços 
de uma Cidade
na mão  

Tenho em mim a ousadia
de tornar o caos razão 
de dar lógica à abstração 
e organizar a entropia 
de uma caixa de cartão 
uns minutinhos ao dia  

Tenho o tempo e a alegria
Mas saiu-me a mão aziaga
e escolhi a peça isolada
guardada na caixa errada 

Gastei um tempão 

numa Cidade à espera 

em vão 

22 de junho de 2024

Matutinar

O anseio da vida agora
escorrega do além
repentino como um berbequim
a dissipar a névoa do sossego.
Não achas cedo? 
- Negoceio -
Que tal novo abraço do nada?
Dobras fofas e imateriais?
Pedaços de possíveis? 
Só estar?
Não não, estalam as ferramentas
Há um corpo para emoldurar
Há roupa para o estendal
Há ideias a preencher
Há sol na rua a chamar
Há pessoas e horas certas
é imenso o potencial
de tudo o que podes fazer.

Caramba, são 6 da manhã!

Pois, devia ser proibido começar as
obras interiores antes das 10,
mas ninguém regulamentou isso.


11 de junho de 2024

Escolha





Encontrar-te.
Abraçar-te e dedicar-me.
A ti, de entre todas as possibilidades.
Como se escolhe um pensamento
de entre tantos que se abeiram?

8 de junho de 2024

Imperfeição


A imperfeição humana não é para eliminar e sim para gerir (tal como se diz atualmente da dívida pública). Não se consegue chegar à perfeição, porque é sobretudo uma ideia, ainda por cima variável. Mas não gerir a imperfeição e aceitá-la como vier também é um erro de vistas curtas (tão grande como não gerir a dívida). Não é possível eliminá-la, nem adianta fingir que não existe... Só resta gerir e tentar que provoque o máximo de vantagens e o mínimo de estragos. 

A condição humana de conceber ideias imateriais, mas só conseguir realizar coisas concretas é, para mim, uma das maiores fontes de encanto, frustração e empatia para com os seres humanos e para comigo.


Cofres vazios nos Estaleiros da Lisnave, Almada











Cofres vazios, Estaleiros abandonados da Lisnave, Almada, 2024

3 de junho de 2024

Corrida

Passo, calçada, 
passo, calçada,
respiração aberta, passo, calçada,
o corpo em dianteira passa, a calçada,
passo, calçada, 
a cabeça agitada,
passo, calçada, passo na estrada,
passo, estrada, a passadeira passa,
passou pensamento, passo, calçada,
passo, calçada, 
passo, calçada, 
na marginal ao mar, passo, calçada,
o pulmão inebria, passo a calçada,
passo, calçada,
passo, passo, passo, passo,
passo, calçada, 
passo, calada,
que a corrida esvazia, 
seja abençoada
passo, passo, passo, passo.
até à paz desejada.

1 de junho de 2024

Programas

Comece a escrever
diz-me o programa de notas no telemóvel
obedeço e copio-o
abaixo do Título
colo.
Em que estás a pensar?
pergunta o Facebook
É mais difícil 
Não pensava em nada
mas a estratégia de adesão 
destes programas
interpela-me.

Ah perdão,
O Facebook está fora de moda
e Programas já não há
só Aprendizagens Essenciais
e PASEO em sigla
Quase penso
Passei?
Sim, é de perfil de alunos que se fala
e de perfil é mais fácil
basta encolher
a barriga
nas grades das grelhas e aplicar
as instruções das apps.

Habituamo-nos cedo
a cumprir.


12 de fevereiro de 2024

Feriado

O tempo livre da manhã cedo
ping
a
do beirado alaranjado 
de telhas de meia cana
ping

porque molha tolos
por entre o café quente
do feriado enrolado
à janela fria que
pin
ga 
quieto a ver a luz nos prismas
das pin
gas
que agarram a paz do dia intacto 
São pin
gas de inverno
que então me acordam
porque decidem
pingar
potenciais e ideias 

Resisto já sem café 
mas os cenários do dia
pingam pingam
mais pesados
descaem-se do céu nervosos
pinga pinga pinga
O que vais fazer?
Como vais aproveitar 
antes que acabe?
pinga pinga pinga pinga
Isto mais isto ou aquilo
pinga pinga pinga pinga
aqueloutro e mais três 
pinga pinga pinga pinga
O dia é livre tudo é possível 
pinga pinga pinga pinga
Que ampulheta é esta
que me chove cá dentro?
É tortura chinesa
Já não se pode estar só
sossegado?

Pinga pinga pinga pinga 
Pinga pinga pinga pinga

Pronto, está bem, já fui.


7 de janeiro de 2024

Cisterna

Tudo o que não
fiz
acelera
somado a tudo o que fiz
mal feito
e atravessa-se à minha frente
e atropela-me certeiro
o peito
Nem o banco de jardim
me salvou do camião -
- cisterna
 

mergulho
na sua profundidade

escura

07.01.24 

29 de dezembro de 2023

(Diz) Farsa, Origem da Alma



Estava eu a pesquisar no Google este blogue, para aceder mais depressa e topei com esta música, via YouTube, que não conhecia, com um título muito familiar 😁. 
Ouvi e adorei o som, o peso, a letra. Que descoberta fixe hoje. Por isso trago-a para aqui para junto das outras farsas, disfarces e coisas que são ditas. Grande som e letra🤘😁 

27 de dezembro de 2023

Sacode

O medo traz muitos olhos
a espreitar dos cantos
a insegurança e os perigos
Mas quando se fixa
como ângulo de visão 
torna-se os olhos de ler a vida
e deturpa a luz 
como mágoa 
gelatinoso, azedo, arrastado,
ou exuberante aos gritos
Deturpa até as sombras
povoadas de "ses"
e relê toda a estória 
O medo filtra as papoilas
o ritmo das borboletas
e escoa a dor
para a chávena de beber certezas
cheias de razões 
deitando as borras no lixo
Quando o medo se fixa
e o medo são olhos vesgos
e o medo entupiu os filtros
é inútil 
estragou-se
está na altura de o desencravar
de deslocar os ângulos
agitar tudo
e olhar por outro prisma
Sacode!

28.12.23 

9 de dezembro de 2023

Bétula Branca

Ensinaste-me na Serra a escrever 
na casca da Bétula Branca
Mais tarde ofereci essa ciência ao Amor
e com surpresa ele aprendeu
Foi por isso que recebi as Cartas das Cascas 
que guardo numa gaveta
Por causa de ti e de ti que não se amavam
Por causa de mim que amava os dois
Por causa da Bétula Branca 
e dos seus costumes na Serra

Ainda bem que não me ensinaste a fazer chá 
A Bétula Branca tinha perdido as palavras
e eu o encanto com que lhe toco

um encanto a segredar por trás das cascas

9.12.23

27 de novembro de 2023

O espelho: Artifício interligado AI

Off/ On
macaco de imitação
gerador de criação
Sem pulso/ Impulso
diferença de potencial
com potencial na diferença 
Máquina/ Humana
artifícios interligados
por universos de dados
Alexa/ Ana
Siri ou Cortana servem,
sem ser à mesa, os Senhores
Chatbots/Operadores
precisos eletrões em dança
a linguajar nos corredores
Neurais/ Neurónios
por redes fundas a disparar
sinapses com alvo ao futuro
ChatGPT/ tanto a ler
só porque uma vez explodiu
um espelho na casa de Turing
É lógico/ às vezes
e pouco depois Macarthy IA
precisar de pentear as barbas
É Reflexo/ Real
da libertinagem de zeros e uns
na tela plana, espectro de luz
Algoritmos/ Alimentos
Digeres assim, DABUS?
Veremos
e entretanto a bolsa engorda
da cotação de empresas de
AI!
espelhos sem patente!
Ups/ hide down.

11.2023

23 de outubro de 2023

Nos trilhos da Estrela

Serra da Estrela vista do sopé

Ao chegar
vejo-te ao longe
ensimesmada gigante,
Estrela minha, ascendente,
e a cada sazonal regresso
tu quieta
do teu regaço
ofertas-me os vales e montes
de quem anseio um abraço
dispões lagoas e fontes
para desaguar do cansaço
e vestes 
a mais viva cor
rubra em matizes, no ocaso.

Cerzida de urze
e giesta
por entre granitos rolados
embalas os filhos nos galhos
que resistem à razia
de incêndios
acumulados
de solos abandonados
e dos invernos de idades
a carpir-te de saudades.
Serra que gera e que morre
solidez que gela
mas chove,
ciclo natural de esperanças.

Subo na tua mão
veredas,
mourejo o coruto de Alfátima
pelos figos que a lenda urde.
Lá em cima, escuto o rumor
das faldas 
do Castro Verde
e dos prantos que a penha verte.
Depois, vigio a cabeça
sem corpo, do velho, que falta,
deve andar no pastoreio.
E vou ao
Vale do Rossim
espalhar-me pela água a meio.

Por estradas
esburacadas
chego às Penhas Douradas.
No maior Tor fico miúda
e chamo, cheia de coragem:
- Oh cântaroos!
Os, os, os...
Sussurra do além a paisagem.
Atalho chalés e pinheiros
fixa no Fragão do Corvo
ninho de rocha a apontar
para a explosão
de relevo
do Zêzere e do seu glaciar.

Observo
o Observatório
mas digo adeus ao cenário
quero ir ao Mondeguinho
para cumprir a tradição
de o saltar
ao pé-coxinho.
Invocação de água, evocas
os fluxos da emigração
a esvaziar as barrocas
e a acelerar a erosão.
Educas
no desapego
aldeias, que perdem o jogo.
 
Vem o fusco
piam sombras
o fresco estala o calor
e surge a madrinha beirã
o teu dossel, Aldebarã, 
para aconchegar-te 
o burel.
Traz leite da via de estrelas
e grilos no breu, a rebate.
O tempo irrompe por dentro.
Serra gigante, embrulhada,
a dormir
na diagonal
das sortes de Portugal.
23.10.23




15 de outubro de 2023

"O poema que não existe" da Grande Coisa




"O poema que não existe"🥰, uma homenagem da Grande Coisa a todos os poetas que lutaram contra regimes opressores nos séc. XX/XXI e lhes resistiram, bem como à beleza que perdemos quando foram torturados e/ou pereceram... 

Podem ver a instalação no FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos 2023.

1 de outubro de 2023

Sair de Si

Nós,
redondos do ócio
de apenas estar,
inúmeros
planos
decepados.
Somente nós,
marcados dos anos
como dedos de ramos
ausentes das histórias
das árvores do teto,
que me espiam
solta na cama
a vê-los.
Nós
como olhos
maquilhados
a reverberar eras
concêntricas de esperas
de pinho ou carvalho
discretos nos móveis
atalaias de soalho
bulício de copa
cortada.
Nós
cegas feridas
de um corpo fixo
de raiz no relógio de areia
de química e micélio a conversar
sob o solo do bosque em rede.
É uma existência tão díspar
que apenas se concebe
ao sair de Si

e chegar
ao Dó

Sair é difícil
Há tantos
nós


01.10 de 2023


16 de julho de 2023

Polisulfato sódico de pentosano

Várias rídulas,
duas rugas,
uma variz,
que soa mal sem
o plural,
mas esse que não venha
e se fique a veia, 
só, 
varicosa.
(O André ia rebolar-se,
de língua,
por esta palavra.)
Por Guimarães!
Soam aqui ecos 
do Barreto Luís,
Oh mano João!
E de Leiria
veio o Mário Henrique.
Deve ser da idade
e da falta de exercício.

Prescrição da web:
corridas, 
mezinhas,
cremes 
impronunciáveis.
O tempo engole-me e

... penso é em férias. 
Além de varizes,
o tempo também traz as férias.


16.07.2023 

9 de julho de 2023

Meia-lua

Tisnado de caracóis
ao vento, 
surges-me, desgrenhado,
como um gato de Cheshire.
Ora aqui.
Ora não cá.
Chegaste, de sorriso ao céu,
mágico ao peito,
e soltaste essa meia-lua,
tantas vezes encerrada.
Ah
foi por essa meia-lua
que valeu a pena ser gato,
que valeu salivar por bolos,
que valeu espiar o fumo,
do chá,
por entre tambores
e fiordes
à mesa do Chapeleiro.
Ah,
ora não cá,
ora aqui.
Sentaste o sorriso na árvore
a gozar com quem passasse
e uma Alice confundiu-te
com o Tom Sawyer
de outra história.
Sabia pouco de literatura
e da ortodôncia da lua
que ora é aqui,
ora não cá.
Mas ainda bem
que afinal és um gato
de Cheshire.
"Ora não cá, ora aqui"
faz muito mais sentido,
e esse "não cá"
é mais impossível
do que a
meia-lua ser tua.

ao André 

09.07.2023

11 de dezembro de 2022

Do Arco-da-velha

O raio de um arco
(Que o parta!)
irisou-me a retina
no diâmetro da tarde

Que espanto!
Era enorme e vi-o
(Não me deve ter visto)
arredondado
a disparar gotas 
como flechas
em inglês
em alemão 
(Retesei os olhos 
a tentar captá-lo)
através da corda 
hirta de nuvens
(fugiu-me das mãos)

Era um arco de chuva
sobre a minha concha
e quis vir escrevê-lo 
nas línguas
nas lendas
nas lingua-lendas
Quando foi ponte de Iris
do céu para a terra.
Quando molhou as barbas 
de Noé 
pela eternidade
(como a velha arqueada
nos contava por cá)

Era um arco relâmpago 
na boca de Itália
depois das tempestades
e um simples arco
no céu francês
Mas por baixo
da língua da minha terra
(e de outras 
que se viram gregas
para o admirar)
tinha as cores dos olhos
e dos lírios ao sol
à espreita

Pois...
o raio que o parta
do arco
partiu-me
Escrevi e apaguei
escrevinhei e rasguei
(Não fluía... só pairava)
a água em suspenso

a caneta em suspense

Devia ter tirado os óculos
As gotas frias
a bater na emoção
(Leve, levemente,
como quem
chama por mim)
condensaram-se
Embaciaram-me!
Tive de ir buscar um pano
... e usá-lo
para poder ver
(Não se pode desistir
de uma aliança)

Arco Íris em Almada
Fotografia de Rui Perpétuo 




20 de novembro de 2022

Isto não é o ciclo da água

É Novembro...
por baixo dos pingos da chuva.
Casacos e chapéus correm
fugindo dos pingos da chuva
e todos os preços sobem
por entre os pingos da chuva.
Não faz mal
que caiam os pingos da chuva.
porque as janelas fecham-se
por detrás dos frios da chuva
e a luz de casa reflecte-se
por todos os prismas da chuva.
É bonito.

Precipitação,
Infiltração,
Evaporação e transpiração,
Condensação.

Entretanto,
mais do que os pingos da chuva,
cresce o lucro dos magnatas
infiltrado e de branca luva
e os rios enchem cascatas
e há homens que vivem na rua.
Nas TVs
digitais, sem riscos de “chuva”,
falam de uma recessão
e contam-nos, os manda-chuva,
que a guerra é a explicação,
não houve qualquer falcatrua.
Podia ser…

Infiltração,
Evaporação e transpiração,
Condensação,
Precipitação.

É Novembro,
nuvens precipitam-se em chuva,
tão natural como a água,
como a sede que a anseia e louva.
Só que a recessão é ambígua
repete-se
para quebrar a rima.
Repete-se para
partir o ritmo.
Não muda o compasso da chuva
mas atinge-nos caída “do céu”.
Faz parte de outro ciclo.

O da chuva é natural.

O da recessão,
não.

27 de outubro de 2022

Até já, amigos!

Encontramo-nos,
às vezes,
quando andamos por aí, nos dias,
velozes como patins.
Entretidos a colher maçãs,
a esmiuçar-nos em causas,
ou ensarilhados nos fios,
elétricos,
das comodidades.
Quando nos vemos
nem sempre nos encontramos
mas se isso acontece
criamos estupendos padrões
com os fios de sangue
que trocamos
e tecemos juntos
em novas mantas de conforto
e em tangas de luar.
Cozemos uns nos outros 
os valados e os abismos.
Erguemos os cumes na concha das mãos.
Batemos as palmas,
como asas,
desabridas de alegria,
a cada estória de sucesso,
a cada riso ou gargalhada.
Há outros que encontro,
também por aí,
que projetam aqui o de si,
que refletem as suas couraças
e apenas se espelham,
à superfície.
Pouco importa, são supérfluos.
Mas vocês não.
Vocês não...
porque juntos formamos um nós
que não precisa de se distinguir
de qualquer eles
para definir sabor a nós.
Porque nós amamos
fazer compota com a polpa das frutas
e alimentamo-nos da nossa energia 
em modo wireless
pelas diversas telas onde pintamos
amoras, abraços, aldeias,
balões, brincadeiras, bilhares,
corridas, canoas, canções,
danças, divagações e debates...
todo um alfabeto de energias
fixado em memórias
na mente
no corpo.
Às vezes, quando ando por aí nos dias,
velozes como patins,
não vos encontro,
mas encontro-as a elas
e faço-lhes companhia
até vos voltar a encontrar.
Até já, amigos!

24 de outubro de 2022

Naturalmente incorreto


Escrevi um texto
escrevi um texto há bocado
com toda a indignação das emoções primárias
bebidas em segunda mão no noticiário.
Nasceu-me um texto zangado
porque é em lutas que soluçamos os dias
com lentes parciais
saberes desconexos 
mal articulados.
Não lhes estou imunizada,
às emoções do umbigo,
às armadilhas de ser o ponto um
onde inicio os pensamentos que emano
ao emprenhar de ouvido 
(por muito que tente limpá
-lo).
Sim... É verdade
chegou-me a autocrítica de lixívia e pano
que eu
escrevi um texto zangado
e agora podia apagá-lo.
Nem meia hora volvida e sei que ele não é total
que me emocionei demasiado 
e que
juntei três de ontem com um de hoje
que há egoísmos no seu resultado.
Envolvi-me demais e não vi as vistas largas
todos os pontos de todos os lados.
Não ficou bem estruturado.
O que escrevi é parcial e então podia apagá-lo...
Não está em mim
só o escrevi há bocado
Mas não vou
Vou lá
deixá
-lo
Deixá-lo vivo para que seja lido
ou para que seja ignorado
Ele que se faça à vida
porque se assemelha a ela
incompleto e parcial
parido pela emoção
não só razão 
nem tão só informação

Nasceu um texto mal formatado
que não era perfeito
ainda há bocado

25 de agosto de 2022

23 de agosto de 2022

Valência / Valencia

 

Visita a Valência, Espanha, o melhor

Um dos passatempos da visita a Valência acabou por ser colecionar os graffitis do David de limón. Já conhecia este mascarado de algum lado mas não sabia que o artista era de Valência nem o seu nome.

Só depois de ter reparado na repetição fui procurar informações e então comecei a tentar colecioná-los 😁. Sei que há muito mais mas estes foram os que me apareceram pelo caminho 😉🥰.

Aqui fica a coleção junto com três grafittis de que gostei muito, de outros artistas. O coração é de La Nena Wapa y Stool, o painel de tecido não sei e último da direita é da Julieta XLF. Muito mais havia lá mas fica para outra viagem.


11 de maio de 2022

Anfiguri no séc. XXI

 

Era não era
foi lançado na guerra
num mar que era negro por baixo da terra,
O urso berrava,
a cegonha gemia
e por cima pairavam as asas da águia,
que as lutas de poder são uma pandemia.
Por lá, nas batalhas, ele intervinha
com as unhas dos pés,
que armas não tinha.
Gritou pela NATO!
Chamaram-lhe pato.
Gritou pela União!
Obteve um pião.
Gritou pela Rússia,
Quiseram autópsia.
Num folheto da ONU conheceu a paz,
mas precisava de armas para ser capaz.
Da UE vinham chinas,
dos States afegãs
e entravam nas TVs a lançar avelãs.
Uma das pevides
bateu-lhe no olho
e na sua mente nasceu um piolho.
Não tinha Quitoso para se lavar
e pra ter liberdade tinha de finar.
Havia apenas outra solução:
limitar os partidos com opinião!
De runas no peito,
feito nacionalista,
pouco lhe importava
se o vissem fascista.
Chegou a carta do direito mundial:
“Rasputin era morto...
e Zelen por nascer.”
O que havia o moço então de fazer?
Com o ramo de Bétula agitou girassóis,
virou-se na cama
e puxou dos lençóis.
Quis contar carneiros e via oligarquias
mascaradas algumas de democracias.
Mas sem matar ninguém...
sentia vergonha
de deixar o urso montar na cegonha.
Atirou-lhes bombas,
acertou num artelho,
e escorreu-lhe o sangue
até ao joelho.

8 de maio de 2022

Desejo gelado


- "Meeeu Deeeus!"
Atirou o puto ao sol,
à bruta gritou na rua.

- "Meeeu Deeeus!"
Apoiando-se à parede
como que a fincar na pedra
o calor preso da fila,
enorme, corada de gente,
em frente da geladaria.

- "Meeeu Deeeus!"
Sem o cone na mão,
a derreter o tempo.

- "Meeeu Deeeus!
E se isto não é poesia
eu nada sei de expressão.

12 de abril de 2022

Vaitu


Cumpro-me se enfrentar o medo,
há estrategas na batalha dos Media,
e agir, apenas ser ou estar.

Destaques

Cáceres de um café

  Distração de início de 2025... Erros de perspetiva e cor, aceites ainda assim, traços que tremem na imperfeição da mão. Pouco treino, muit...