8 de julho de 2016

Arqueóloga ou esteticista (Fragmentos da Feminil...Idade XIII)

 

Arqueóloga ou Esteticista

 

No pino do sol a luz deflecte no calcário.

O calor sobe em sombra azul na parede

e envolve os destroços acima da cota

de dois andares esventrados de piso.

Restos de tijolo burro cruzado,

pedras brancas,

Paredes no chão, canos e pregos.

 

Argamassas e destroços da

desconjuntura do belo,

que um dia foi.

Do razoável,

que se foi.

Do obsoleto,

que era.

Da ruína

que é.

 

       Ar denso e branco do pó da cal com areia,

         dos ligantes de terra, amarela e vermelha.

                Muco e sangue patrimoniais na maca,

                na cirurgia brusca da retroescavadora,

                do músculo pneumático e da marreta.

                                  A arqueóloga colige dados

                                           não resgata a estética.

17 de agosto de 2015

Desen...Canto


Canto o desencontro...
dos pés...
sustendo as pernas a passo,
tacteando as nervuras do chão,
e que alongados no espaço
me riscam a direcção.
E se de algum eu me esqueço,
para evitar um tropeço
contorcem-se sobre a calçada,
mantendo-me equilibrada.

Canto o desenlace
das mãos…
pelos braços articuladas
em volutas de afinidades
e que juntas ou separadas
gritam mil actividades.
Com punhos fechados, em força,
ou num gesto em que se torça,
desatam-me os nós com perícia
ou inventam-se uma carícia.

Canto o desembaraço
do tronco...
que a todos estrutura e une.
Por tractos ocultos reúne
alimento, asseio, respiração,
o estralar de um coração.
É ele que me curva e levanta,
que me define a postura,
soltando expressões na garganta
de vento vibrado em clausura.

Canto o desencadear
da mente…
que me extravasa a cabeça
atenta à multidão de sentidos.
Recolhe-os no mundo e alicerça
outros novos ou reconstruídos.
Muitas vezes não se cala
e mói-me o juízo, a despique.
Rodopia, a minha psique,
e é preciso acalmá-la.

Canto o desencosto
dos dias…
que quebraram o feitiço,
de uma dor firme, em tortura,
traçando pelo corpo o esquiço
das sendas para a sua cura.
Porque hoje há, em cada hora,
um riso que volta e comemora
a acção presente, incontida,
da energia pura, desen... vol... Vida.


08.2015

30 de julho de 2015

Trovões de areia


O cliché das pegadas na areia rastreava um caminho displicente de fim de tarde, até à enchente sonora. Parou.
(...)
Se fechasse os olhos, ali, no meio da baía despovoada, ouvia as ondas na areia como trovões, a ecoar por todo o céu na terra. Uma trovoada sem relâmpagos que, no entanto, era possível imaginar e ver, raiados a branco com muitos braços, no escuro das pálpebras cerradas através das retinas queimadas do sol. Um trovão com início e um longo durante... de luzes a estremecer áreas distintas do nebuloso negrume, cujo fim se perdia por entre o troar de novos começos. Um céu inflamado e brusco, completamente ausente mas descido à terra pelas curvas ressoantes.
De olhos abertos podia conhecer-se o engano e perceber de onde eclodira a imaginação. O combate entre o sólido dunar e o líquido aquoso. De olhos abertos impunha-se a colisão de matérias que não eram apenas ar mas através do qual a mansa batalha se alargava a rugir, espraiada pelo longo comprimento da praia. Um som nascido de cada fragmento de onda perpétuo e cadenciado em ecos no anfiteatro terreno. A luz do sol espumada a branco nas orlas do azul e a transparência de orifícios sugando a água por entre os grãos de areia creme.

Naquela praia ampla, o som embateu na mulher despojada projectando interiores e exteriores diversos, plenos da paz e do tumulto nativos que ela própria continha. O pensamento e os sentidos cruzaram-se na contemplação natural, conectando o corpo e a mente, gratos por serem humanos e poderem ser tão felizes com a realidade como com a ficção.

Alvor, Junho ou Julho de 2015

9 de novembro de 2014

Marés de escrita

Dissipo as dúvidas,
voltam-me as dúvidas,
dissipo as dúvidas,
voltam-me as dúvidas,
dissipo as dúvidas,
voltam-me as dúvidas.

Escorro-me do presente entre ondas e areias
mas só ao mar é permitido ir e vir perpetuamente.
Só a fonte da vida não tem de se explicar e
eu queria ser, mas não possuo, um mar.
Mesmo assim não posso evitá-lo...

Dissipo as dúvidas,
voltam-me as dúvidas,
dissipo as dúvidas,
voltam-me as dúvidas,
dissipo as dúvidas,
voltam-me as dúvidas.

Estou prenhe da consistência das marés.


09.11.2014 Coimbra

4 de maio de 2012

Lusiadas contemporâneos


Concordo completamente com a ideia de uma nova Epopeia necessária, não só ao povo Luso mas a muitos outros do Ocidente e da Europa em particular. No entanto é desta língua, deste país rectângular e destes problemas concretos que estou mais próxima. Por isso, hoje depois de ter recebido este texto via Facebook, escrito pelo muito ilustre autor Luis Vaz sem Tostões, sito algures nas margens do Coura, quebro o hábito de só aqui colocar textos da minha brida e convido quem aqui venha a gozar os sorrisos e as raivas dos novos Lusiadas... possam as palavras inspirar os actos e transbordar das letras para a construção de novas Epopeias práticas :)

I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

 
IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões





30 de abril de 2012

Headbanging for thy obsession (Trunks of old and dark spirits II)

Headbanging for thy obsession

The siren whispers…
and I don’t know why
does that song find warmth
into my mind.
It says that if I listen
and then I don’t forget
there’s quietness and bliss
that will surely set.
I feel that it is wrong but…
what should I do?
The lyrics and the promise
sound as if true.
So I care no more
for whom does it serve,
‘cause it fills the void
and it calms my nerves.

Oh song of faith, oh sing to me...
the utopia of the lands that I will see!
Where the wrongs were put right,
Where this Man won his fight,
raising back from the ruins of time!

But… the ashes,
only ashes, grey ashes.
There’s no Man to be seen
from out here!
Only ashes that fill everything…
There is no Man to rise,
and the song is demise
set to lure the obsessions within.

Oh song of Faith, oh sing no more!
Let me silent and quietly find shore…
'cause the wrongs creep back in
carving signs in my skin,
maps of old, where nothing can begin!

Checking sea, checking land!
- Laughs the siren!
She commands me to sing,
then I am She,
struggling with the obsessions
gone free!
And as soon as you do,
begin to sing her back,
the song works
and your mind starts to crack.
Piercing voice and aloud,
just by giggling in sway,
twisting off all your memories
on play and replay!

Oh Saint Obsession, 
then by banging my head,
I‘ll spill it out of music 
and finish it dead!

Coimbra, Jan/Abr 2012




24 de junho de 2011

Rimas da Amora Simples

Se a memória 
da amora, 
não compensar a do espinho, 
Só a fome 
atreve a mão 
a fazer-se-lhe ao caminho. 
Na abundância 
da estufa 
impera o morango a pacote. 
Não há razões 
de ir à silva 
e arriscar-se num corte. 
Dali se alimentam pássaros; 
umas cansam-se no chão. 
Há uns radicais 
que as comem, 
em desportos de verão. 
As outras minguam 
sementes, 
esquecidas já do sabor, 
sem vantagens de mercado, 
que é quem 
Nos Define o Valor.

Mas há quem guarde gatilhos, 
antigos, 
sem medo aos espinhos, 
e salive 
por amoras silvestres, 
mesmo que tenha... 
mirtílos.

 :) 

 Escrito hoje, mais um dia em que não comi amoras silvestres :)

11 de junho de 2011

Lanternas

Não quero que desçam lanternas dos céus esta noite, aqui só!

Porque as lanternas garridas irrompem nos olhos adentro, e por rasgadas pupilas, cortinas abertas, desenham-me um nó.(Sob a luz, por sistema, sobressaem sintomas, maclados em cor).

Por isso, impeçam que desçam lanternas dos céus a alumiar, esta noite! Que o ventre quer ventre, voltar-se à escuridão, ser perene e gerar. De ausência de fora aconchega-se a funda imersão, em abraço. Um nicho aninhado de bicho, acossado e a catar-se o cansaço.

Não deixem que baixem lanternas dos céus, as estrelas, ou lua; que em mim dançaram demónios e agora, acalmados, ergo-me do chão. Vou ao escuro do ventre da terra, à mão do principio, banhar-me no nada. Que o nada estica-me o corpo nas cordas do ímpeto da transformação.

18.05.2011

18 de maio de 2011

Colo


Perdi o meu colo... um dia partiu.

Mas todos disseram que era triste chorar.
Que era feio e rude mostrar a tristeza,
que assumir a fraqueza era de envergonhar.
Assim, cerrei os dentes e cravei-os nos lábios.
Aderi à turma dos senhores da certeza,
aprendida sisuda desses discursos sábios.
Se gritos me tive, não gemi de pudor;
Se o lábio sangrou, degluti, p'ra nutrição;
Se lágrimas vieram, passei-as a secador;
Se a tristeza raiou, atirei-lhe uma canção.

Mas esquecida, nos aceiros do controlo da dor,
abateu-se-me exausta a matriz do coração!
(Esquecer é um sofisma de esforçada lentidão...)
Antes lutasse em nascer, do que nesse controlar,
Porque hoje falta-me o colo
... e a ciência de sentar.


07. 2010 (Concluído em 05. 2011)

Ao Pai

21 de março de 2011

Das coisas bonitas... postais, livros, design



"Each person is a new story, a new book.
Each book is a new idea of literature, a proposal to design a new life.
One could even read life – and live books."
Joana Bértholo

Começa assim o site da Rita Marquito, com uma frase emprestada a sumariar a sua entrega aos livros e ao desenho da linguagem gráfica. Os dois em conjunto têm dado origem a imensos trabalhos de design de livros; e quando em separado têm gerado horas de leituras (que às vezes discutimos nos cafés) ou vários outros trabalhos gráficos em exposições e sinalização de espaços (que... sim, às vezes também discutimos nas mesas dos cafés, ou entre danças nos bailes e passeios ao rio e em que eu aprendo sempre mais do que aquilo que tão pouco sabia).

A literatura, o design... Desenhar uma vida nova é um desafio estupendo! Reinventar isto tudo de olhos abertos. Trazer à baila aquilo que não estava lá e enriquecer-nos de novas e reinterpretadas experiências. Não posso por isso deixar de enquadrar aqui no Dizfarsa, para quem não conhece, o link para o novo site da Rita, onde ela está a agrupar o CV e portfolio de trabalhos e ainda os dois postais que ela criou sobre esse trabalho.

http://ritamarquito-work.tumblr.com/

Visitem depressa, a Rita enquanto cá está (porque ela pensa fugir-nos de Coimbra em breve, provavelmente para Lisboa) e o site, sempre!


15 de março de 2011

Emaranhado de Primavera

Arrebatadora!

Arrebatadora e implacável nasce-me, no fim do inverno, uma ânsia de desejos que percorrem os mil braços por onde não podem escorrer. (Só tenho dois... e atados a notas de 100 euros). É uma ânsia que não se sacode e se espatifa aguda contra a barreira de um só caminho de perna e passo, contados e numerados.

Calma aí!

Dizem que não.

Indiferentes à flecha do tempo, golfadas de ideias emaranhadas não fluem em fios de sentido que se organizem. Nenhuma espera que outra tome a dianteira para a seguir, e em vez disso todas acorrem quando se lembram, aos gritos altos, dispostas a interpor-se umas às outras porque dizem que são urgentes.(O desdém da omnipotência em corpo humano). Cada vontade é urgente! Mas são demasiadas! É tudo urgente e vital na Primavera!

Rebentam-me emoções e vontades a querer despontar da humidade invernal em casca sossegada, mas a torrente paralisa de tão frenética. O excesso aniquila o prazer do novo e os rebentos prematuros são cauterizados pelo frio da alma arrefecida; pelo corpo que ainda quer hibernar mais um bocado; pela condição de quem só processa um segundo de cada vez.

Calma aí! - Disse eu! - Ainda tenho de ajeitar os ramos. Nasçam lá uma de cada vez.

18 de dezembro de 2010

A Passagem de ano é em Coimbra

Mais um ano que entra, mais uma rodada... de voltas e danças e abraços e música e amigos e saudades.

Novamente no Centro Norton de Matos em Coimbra... lá espero encontrar-vos todos.




Mais informaçõem em:

http://www.rodobalho.com

ou em

http://www.passagem-de-ano.net/

13 de dezembro de 2010

Sardenha a pé, ficou-se por Cagliari

Visita a Sardenha sem sardas e sem sardinhas. No bucho muita massa fresca com pesto. Uma Sardenha de simpáticos Sardos na sesta da tarde quando tudo fecha. Uma Sardenha visitada em 3 dias resumiu-se apenas a Cagliari, sem sol mas com muito para ver e passear.



Da viagem trago as imagens de cultura diferente, de gente com faces que bem podiam vir daqui e a descoberta de um canto polifónico de raiz pastoril, que se ritma em transe. Aqui fica um video do youtube em francês que o explica um bocadinho.



Quanto a Cagliari convenceu-se a si mesma de que a riqueza são praias. Pode ser verdade numa ilha mas é pena, porque para além delas há ali imagens e cultura específicas que podiam ser muito mais exploradas.



A cidade é um monumetal Castelo rodeado de salinas e portos de mar, com zonas mais preservadas que outras. Tem um belíssimo anfiteatro romano e vários outros vestígios, como a necrópole de Tuvixeddu. Lembro ainda uma igreja que suscitou a nossa curiosidade por ser dedicada a São Lucifero... mas não, não evoca o demónio e sim um antigo bispo de Cagliari que foi excomungado por ser contrário à heresia Ariana (de Ariés) do séc. IV.

Por falta de um cartão de plástico, fiquei sem visita aos famosos Nuraghi proto-históricos, que tanto queria ver. Tive de contentar-me com imagens de museus e com as fotografias ao espólio tiradas pelo companheiro de viagem. Do chato o menos, porque há lindíssimas formas cerâmicas e belíssimos ex-votos de bronze.









Em suma, Cagliari, sim, vale a pena visitar, mas levem os cartões de plástico todos que tiverem, sobretudo aqueles que certificam que os bancos vos emprestam dinheiro :P Pelo que vimos, de certeza que valia a pena alugar um carro e explorar a ilha mais para dentro... Lá terá de ficar para a próxima.

1 de setembro de 2010

Ana Jones no Outeiro do Circo



Outeiro do Circo aparece no jornal O Público

Regresso... dos pés na areia e pés no mato, pés no mar e pés na estrada, regresso com os pés descansados da caminhada!

Pois, de volta a Coimbra partilho com vocês o que saiu no Público sobre a escavação no Outeiro do Circo. Este ano foi uma escavação toda mediática. Na foto estou eu e o Woody a marcar a sondagem nova! Este ano finalmente os meus ornatos brunidos prometidos apareceram, Yupiiii! Ainda são só 3 mas é melhor do que nada!

Ora diz o público (http://publico.pt/Cultura/beja-descoberto-um-dos-maiores-povoados-fortificados-da-idade-do-bronze_1453085") que:


Descoberto próximo de Beja um dos maiores povoados fortificados da Idade do Bronze

A terceira campanha de escavações arqueológicas no Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel) termina hoje e já é possível concluir que se está perante um dos maiores povoados fortificados da Idade do Bronze Final (1200-800 a.C.) do Sul da Península Ibérica.




"Durante as escavações realizadas nesta última campanha, que arrancou no início de Agosto, foi possível compreender como se estruturava a complexa muralha, que tem uma dimensão muito superior à inicialmente esperada pelos investigadores. É composta por um muro periférico de contenção a uma rampa de barro que consolidava a base de uma muralha na zona mais elevada. A conclusão dos arqueólogos é que toda a estrutura "servia como arma intimidatória mesmo a grandes distâncias".

O povoado, com cerca de 17 hectares, figura entre os maiores conhecidos desta época e que normalmente não ultrapassam os 5 a 6 hectares, "o que lhe permite atribuir um papel capital no controlo de um vasto e rico território no centro dos férteis "barros negros" de Beja.

Sabe-se também que o Outeiro do Circo não se encontrava isolado, mas dominaria uma vasta rede de pequenos sítios de planície que fariam a exploração deste território. É o caso de Arroteia 6, um pequeno povoado aberto, localizado a menos de um quilómetro do Outeiro do Circo. Este sistema defensivo apresenta-se muito complexo e "com raros paralelos no território nacional", acentuam os arqueólogos. Os trabalhos de pesquisa dirigidos pelos arqueólogos Miguel Serra e Eduardo Porfírio, membros do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto e da empresa de arqueologia Palimpsesto, dão continuidade aos realizados em 2008 e 2009.

Em anteriores escavações foi registada a presença de vários derrubes que fariam parte da muralha, juntamente com muitos fragmentos de cerâmica enquadráveis na Idade do Bronze, bem como vestígios de épocas mais recentes e outros de períodos mais recuados, comprovado na descoberta de um braçal de arqueiro.

Novas colaborações

Outra presença constante são os numerosos fragmentos de barro cozido, que poderão ter feito parte da estrutura da muralha, sugerindo-se a sua utilização como ligante para preenchimento de lacunas na construção, à semelhança do que se propôs para outros povoados muralhados da mesma época

As escavações integram-se no projecto de investigação A transição Bronze Final/1.ª Idade do Ferro no Sul de Portugal. O caso do Outeiro do Circo e são apoiadas pela Câmara de Beja, Junta de Freguesia de Mombeja e a empresa de arqueologia Palimpsesto.

Através da formalização de novas candidaturas, os responsáveis do projecto contam, no futuro, envolver outras instituições para prosseguir as investigações na estação arqueológica, que já em 1989 mereceu uma primeira apreciação num projecto elaborado pelos arqueólogos Rui Parreira e Teresa Matos Fernandes, sobre O Bronze do Sudoeste na Região de Beja, no então Instituto Português do Património Cultural."

Além desta notícia do Público o Outeiro do Circo apareceu este agosto também no Portugal em Directo. Vejam em:

http://tv2.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=19455&c_id=1&dif=tv&idpod=43099"

- a partir do minuto 15.30 da 1a parte - entrevista aos arqueólogos (podem ver o Migas, a Sofia e o Woody que alguns de vocês conhecem eheheh, tão lindos na t-shirt da Palimpsesto LOL)
- a partir do minuto 16 da 2a parte - entrevista à população de Mombeja! Um pormenor giro é que depois desta notícia por causa da Arqueologia de Mombeja, a população teve direito a uma outra notícia por causa da falta de rede telefónica que ali é uma desgraça (para telefonar temos de ir para o meio da estrada, literalmente para o meio da estrada, na linha branca eheheh)... Se eu fosse o Peça diria "E esta hein?"

Além disto, vejam mais informações no Diário da Campanha no blogue do Outeiro do Circo

http://outeirodocirco.blogspot.com"

27 de julho de 2010

Um dia...

Um dia rompi e fugi das barreiras 
(queria eu pensar) 
Um dia senti o que é certo e errado 
(queria eu escrever) 

Um dia senti-me 
e sentei-me por inteiro, 
no topo da vida. 
E olhei-a por dentro, 
e virei-a de fora, 
revolvi intestinos, 
dei largas à memória 
e assim encontrei… 
uma linha de fundo. 
A que nos passa ao lado 
E só é vista p’lo mundo! 

Um dia descosi todos os pontos 
(que dera apenas por dar) 
Um dia alimentei as fraquezas em forças 
(sem desesperar) 
Um dia enchi-me 
esvaziando os “agoras”! 
Um dia declarei-me 
e pintei-me de cores! 
Um dia, sim, não dormi 
após a descoberta 
e soube a hora certa, 
o momento de agir! 
E de forças ao vento 
Sem venda ou remendo 
decidi-me a ir! 

Queria eu pensar… 
Queria eu escrever… 
Passos dados por querer… 
Sem desesperar… 

 03.04.2001

22 de julho de 2010

Afogamento

Afogo-me.. 
Pelo medo do claustro, 
afogo-me! 
Aberto o espaço, 
Fechado de gente. 
Afogo-me! 
metida na corrente, 
abafa-me o encontrão, 
e afogo-me! 
Reagir ao turbilhão. 
De todos os lados as vagas 
afogam-me! 
A massa que move 
o volume que massa 
afoga-me! 
O ar que não passa, calor de respiração 
afogo-me! 
Pelo medo do claustro em meio à multidão! 

 08.03.09

22 de junho de 2010

Vagas

Vagas, vagas brandas, vagas altas, vagas de pensamentos engolem e envolvem-me no instante parado. Rebolo-as nas mãos como preciosas pedras de ângulos que merecem luzir a diferentes luzes. Expostas. Expostos os conteúdos aos muitos olhos de mil mãos e perspectivas.

São imateriais mas dou-lhes forma para agarrá-los. Misturo os estados da matéria. Do líquido, transformo o sólido e desfaz-se em gás. Não preciso de temperatura, nem pressão, para criar dinâmica.

E então fumo... o torvelinho dos pensamentos ... com toda a calma do dia chegado ao fim... inalado.

É um fumo que anestesia. Não relaxa nas cores e nos contactos, mas dispersa-se em estrias de sensações pelo sangue. De lá me voltam as vagas. Vagas brandas, vagas altas, vagas de sangue aditivado a temperar-me a vida, para que jamais se aborreça.

22.06.10

12 de abril de 2010

Uma verdade ao domingo

A verdade absoluta não existe porque a verdade é mutável.

A premissa anterior é falsa ou é verdadeira?
Se se aceita que é falsa a verdade absoluta existe.
Se se diz ser verdadeira... e se a verdade é mutável, para mudar tem um dia de se tornar imutável.
Mas o que é uma verdade imutável se não uma verdade absoluta?

(eheheheh :P)

8 de abril de 2010

26 de março de 2010

Reviro às voltas

Dias de chuva dão-me para concluir coisas.
Cá vai mais uma brincadeira com desenhos e imagens. Só gostava de ter um programa melhorzito para fazer destas coisas. O Windows Movie Maker é mesmo limitado, coitado... Mas sempre dá para fazer umas experiências.



Ah, entretanto a música é um pequeno excerto da Valsa dos "Diabo a 7", do album Parainfernália. Vejam mais no myspace deles.

13 de março de 2010

Afirmação

Não é do doce aroma das flores que eu provenho hoje... mas da sua massa fria esmagada em cor primeira. Não é da língua das fadas mas da dos motivos por detrás dos encantamentos, com todas as razões humanas e duras, e não das falinhas mansas com que se apresentam decorativas. Nasço, morro e renasço... enquadro o percurso e reafirmo... e vejo-me tocada pelas dores e pelas cicatrizes, pelos terrores súbitos e repentinos, contidos e controlados, pelos vigores de quem não desiste, belos de expressão viva, pelas notas fortes de vibração eléctrica ensurdecedora de múltiplos pensamentos e contradições. Humanos e fascinantes.

Não, definitivamente eu não venho dos sininhos repicantes, não amo o gliter nos lábios e a brilhantina a luzir sob holofotes. O que posso fazer se me não contento na suavidade das belas imagens e nos tons cremes onde os homens gostam de encontrar repouso... e me aproximo mais da convulsão geradora de tambores em meio ao temporal? Não são as ondas mansas que me identificam e apaziguam, é o seu estrondo no vento e na falésia abrupta. O ímpeto, a força, e mesmo o medo que seduz. Há mistério para lá de... a energia e a procura constante, o ir e vir que não são linhas estáticas e mortas...

24 de fevereiro de 2010

Can of Worms (Trunks of old and dark spirits I)

Can of Worms

I’ve opened a can of worms yesterday night.
Opened it happily, under the candlelight,
on the desired pretence that maybe it could hide,
all the answers of the past that I could not find.

So I opened the can of worms yesterday night…

And even as they slipped right into my hand
I kept looking at them, amazed by their stand.
I could not realize the peril and the fright
of exploring dead feelings that weren´t alright.

But now the can is empty, I was left without words,
‘Cause all that I can feel in me… is the crawling of worms…


18.02.10 Coimbra

18 de fevereiro de 2010

Olaria- ló-lé

Ora agora amassas tu, ora agora rolo eu, depois repuxo dalí e pressiono dacolá... Isto não é muito diferente de dançar, só que é apenas com as mãos eheheh! Assim lá fiz uns paralelepípedos para poder cozinhar, perdão, cozer, no forno! HUmmm! A 950ºc, por períodos de tempo diferentes. Depois a brincadeira ainda não acaba, vou poder parti-los todinhos e esmigalhá-los se me apetecer para ver como é que a duração da cozedura nestas temperaturas baixas as afectou.

Ficam as fotos de uma tarde divertida :)





13 de fevereiro de 2010

Significado - A musica Portuguesa se gostasse dela própria

Talvez porque fiquei cheia de curiosidade hoje coloco aqui, como não é hábito, uma "relocalização" do trailer do próximo filme do Tiago Pereira, apresentado pela D'Orfeu. Quero discutir a criação de públicos!!!!

Trailer - SIGNIFICADO - a música portuguesa se gostasse dela própria from Tiago Pereira on Vimeo.



E fico ansiosamente à espera do filme por inteiro... e de debates, mais debates! E se? E se?

8 de fevereiro de 2010

Explorações

Um dia vestiu-se daquilo que nunca soubera existir para explorar novos horizontes e experimentar, entrever, os desejos do que quereria tornar-se um dia. Depois essa roupagem colou-se-lhe ao corpo e deixou de encontrar à volta qualquer outra com amplitude suficiente para cobrir as formas nuas da carne viva, entretanto mudadas.

Disfarçada, em todos os finais de cada dia abeirava-se do mar de imagens e de sombras, passadas e presentes, escorrendo-as por entre os dedos como areia fina e desfiando o choro do apaziguamento em cada despir despojado. Encontrava-se assim na penumbra enfeitiçada, alcançando a felicidade da paz num caderno aberto e na negação de qualquer roupagem. Naquele ambiente ninguém jamais sentira frio ou espirrara contra correntes de ar porque ali luziam chamas de verdade a quente.

4 de fevereiro de 2010

31 de janeiro de 2010

Cauda

Vivo o desespero da cauda a quem cortaram a cobra.
Contorcida nos restos de energia. Aflita sem saber por onde a dirigir.
Apontada à morte, sem saber mais caminhos para caminhar. Aos saltos desvairada em anéis de escamas, delineando labirintos.
Estou ali, simples, na terra escura de onde sinto que não sairei mais.

algures em 2007

23 de janeiro de 2010

Malabarista

Via uma Maçã...
e o dedo sinistro apontava o alto,
depois pendia, acusava, movia.
Gira, gira, gira, gira!
Na outra ponta, pequenina,
a maçã encarnada girava,
brilhante de casca rodada,
Roda, volta, rodeia, vai…
em malabarismos equilibrada.

O solo p’ra baixo, a dureza, hop!
De um terceiro andar, à varanda,
cai não cai, caía quase.
Ela tonta e assustada.
Ele divertido, a par de nada.
O medo, o medo, o medo,
salta não salta, a dureza, não!
A par de nada… esborrachada.

E de volta à fruteira, ele continuava
o dedo sinistro apontava o alto,
depois pendia, acusava, movia.
Gira, gira, gira, gira...

15.04.07

17 de janeiro de 2010

Ao deus dará

Desprovido de consolo 
o Homem anda, mais e mais, 
o Homem busca, aí se enreda, 
o Homem cresce, segue e vai 
 
Desprovido de consolo 
o Homem anda... 
 26.10.06

11 de janeiro de 2010

Afinal o que é um Banco?



Não gosto nada de não citar fontes... mas é que esta vinheta chegou-me por email e não sei onde estará online... de qualquer forma era boa de mais para não a trazer para aqui eheheh!

Memórias das danças no Ano Novo

Bom... esta dança eu não dancei (mas já dancei antes com o pessoal do GEFAC eheh), como tantas outras deste festival, porque isto de andar para frente e para trás a carregar coisas e tal não dá muito espaço mental para bailios, o balanço é outro eheheheh...

Mas é uma boa amostra da dança e do ambiente que vivemos e que foi, mais uma vez, fenomenal! Este ano só com grupos Portugueses! Bem haja a todos os que vieram passar o ano connosco e ao Tony pelas filmagens... Um bem haja mais uma vez ao CNM por nos receber no seu espaço sempre com tantas facilidades e simpatia! Quanto a mim, recordo que acabei esta noite como fervorosa guardiã de uma brilhante árvore de Natal que ia sendo desmembrada... Ai Senhores Galandum, Senhores Galandum!!! LOL



Musica: Senhor Galandum interpretada pelos Galandum Galundaina de Miranda do Douro

28 de dezembro de 2009

Festival de Passagem de Ano em Coimbra






















Está quase a começar mais um festival de musica e dança, de raiz tradicional mas com rebentos e ondulações contemporâneos. Em pleno inverno a árvore veste-se de cores e gestos que aquecem qualquer noite fria do passar do tempo, as saias e os sapatos aprontam-se para rodar nos ramos ao som de vários ventos de outrora e de agora. O Rodobalho e a Tradballs convidam novamente a que demos as mãos e encontremos os pés.
Espero encontrar-vos por lá... a partir de dia 31 até dia 2, em Coimbra, no Centro Norton de Matos.

Para mais informações visitem:

http://www.passagem-de-ano.net/

ou através de

http://www.rodobalho.com

21 de dezembro de 2009

Corada

Suspiros lembram-me que era de ontem e não de amanhã que se pintavam os castelos ao lusco fusco de alaranjado fulvo ao pôr-do-sol. No inverno possuem-se as cores que despontam no inverno, por muito que seja saudosa a lembrança do final de verão.

É nessa altura que as pessoas desatam a falar de estações do ano e a discutir se faz frio ou se chove debaixo das gabardines... quando na realidade o que importa são as cores... e se adivinha que amanhã o pôr-do-sol visto de frente terá os mesmos tons de cinzento de nuvens que já trazia de hoje. Inventam-se novos suspiros na monotonia cromática.

Luze porém, em meio ao cinza, a luz de Prometeu, na minha casa. E é não o sol mas a labareda que me atiça a esperança das cores de agora, e de todas aquelas que acenderei amanhã.

10 de dezembro de 2009

Impressões de Viagem: Barcelona

Barcelona o patchwork que funciona.

Sob o sol, uma manta de retalhos de imagens várias e muitas cores, padrões abstractos, animais e vegetais e contrastes de texturas, combinações de cores e materiais. Eis a cidade! Barcelona do ferro fundido, do tijolo, do azulejo e do vidro colorido em vitral. Arquitecturas pintadas e misturadas, linhas direitas e linhas fluídas, quebradas e continuas, jogos de volumes largos e estreitos, de sombras e de luz, numa imensidade de pormenores que quase poderiam oprimir... mas estranhamente... não.

Barcelona, barroca de efeitos, de enfeites, mas curiosamente leve, distando menos de um centímetro do kitsh... que resulta e não o é... Uma cidade que senti sintetizada na fachada da Sagrada Família: A mistura de pormenores e contrastes, de materiais, de palavras com estalactites, do antigo com o moderno, de linhas curvas com ângulos agudos e rectos, da pedra e cimento frios com a cor gritante dos pinaculos e de uma àrvore solitária cheia de pombas... um exercício de mistura quase a uma unha de distância do mau gosto profundo... com um resultado estranhamente equilibrado e elegante, dinâmico e fluído até! Como é possível?

Não sei... aí está o fascínio que trouxe de Barcelona, o apreço pelo seu burburinho alegre e a vontade de regressar para explorar e sentir mais.

3 de dezembro de 2009

Conversas da irmandade

- Caríssimo irmão, Um dia destes estás intimado para me dar uma ajudinha.

- Hum… e qualquer dia destes tu estás é agarrada a uma tomada!

- Oh, olha que parvo! Estás a ouvir mãe o que o teu filho me deseja?

- Só te desejo coisas boas, maninha. É bom para emagrecer, com a passagem da corrente. Deve ser bom!

É caso para dizer que, com irmãos destes... ninguém precisa do Talon.

24 de novembro de 2009

Anonimato

Podemos aceitar ser anónimos entre estranhos… mas não perto dos amigos e familiares. Às vezes surge o desejo desse anonimato, do poder sentir simplesmente o momento, despojado de nós, do passado e do futuro. Só mais um, entre estranhos… mas isso não é possível na aldeia onde se nasceu. Não é possível no meio da família e dos amigos, por isso à vezes emigra-se, e de lá longe fazem-se muitas coisas e vive-se o presente.

14 de novembro de 2009

Ninho de gato


Mio... hoje mio e mio alto, 
porque miar é inerente ao gato 
e me revi, matinal, nesse retrato. 
Com vastos bigodes desfiados 
e a querer oferecer-me aos miados... 
Rocei-me na fímbria da velha 
e levei com uma pedra dura. 
escorreguei por uma telha 
e deram-me com a vassoura. 

Miaaaauuuu! 
E eu hoje que só queria... 
uns carinhos no focinho, 
o mimo de um bom toucinho, 
mas parece que não havia... 
E eu bem os dei... sorrisos leves, 
soltei-os pelo canavial, 
Dei até festas ao cão, mas breves, 
não fosse ele... entender mal. 

Miaaaauuuu! 
Ah, mas mal me parecia... 
Isto nem resulta aqui,
nem na outra freguesia... 
Pra esquecer a fome de tanto, 
sem ninguém que por mim espreite, 
só me resto eu no meu canto 
de gato aninhado e sem leite... 
 
14.05.09

8 de novembro de 2009

Oficinas de S. Martinho 2009

Os dedos que tocam e exploram, aprendem. Os dedos que libertam
o som, nos instrumentos.Os dedos de mão aberta e mão fechada,
no violino, no cavaquinho, na concertina,na pandeireta, no adufe,
nas percussões,os dedos na Gaita e na fraita, os dedos nos paus
onde se não pode acertar. Os dedos que se mexem e entrelaçam.

Corropios de dedos também em abraços. Dedos de conversa e
amizade,dedos especiais em braços abertos. Dedos à volta de uma
bebida quente à chuva. Dedos de mãos dadas na dança e dedos que
estalam no ar.

Dedos das mãos que maravilham e constroem. Onde nada havia, tudo
se transformou e encheu. Dedos dos pés que nos carregam no
maravilhoso encontro e encanto de estarmos, de nos darmos, de
partilharmos, sempre ao som da musica de hoje e de antanho,
sempre na dança dos movimentos.

Bem haja a quem esteve nesta 3ª edição das Oficinas de S.
Martinho, a quem colaborou, se deu, nos deu! Acordo hoje com um
sorriso de orelha a orelha, desenhado pelos vossos dedos...

E mais, que entretanto veio à luz do dia... tivemos direito a artigo no Diário de Coimbra de hoje. Ora vejam...



1 de novembro de 2009

Fides



Chove na rua uma água fina e insonora de paz e bênção. A verticalidade espalha-se derramada e sobe depois ao ar, recheada de odores da terra fresca. Cai-se do branco celeste, em traços curtos que agitam a paisagem repousada e quieta... abandonada ali, escoada das gentes e dos seus passos curtos.

Indiferente, a rua chove... e dali me alcança numa aragem fresca e simples de conforto e protecção. Olho-a como chegou, literalmente uma dádiva celeste de um pacato céu de domingo... que assim me oferece o usufruto do presente, sem pedir em troca qualquer demonstração de fé.

01.11.09

Destaques

Cáceres de um café

  Distração de início de 2025... Erros de perspetiva e cor, aceites ainda assim, traços que tremem na imperfeição da mão. Pouco treino, muit...